Fonte: PROADI-SUS

Projeto DIAna apoia o Ministério da Saúde em ações que permitirão que o histórico médico de pacientes seja utilizado para as melhores práticas de cuidado do cidadão; iniciativa do Einstein é realizada no âmbito do PROADI-SUS, do Ministério da Saúde, e busca fortalecer a Rede Nacional de Dados em Saúde (RNDS)

Quando se fala em Inteligência Artificial (IA) e inovação em saúde, é comum imaginar equipamentos de última geração disponíveis apenas em países desenvolvidos. No entanto, um projeto realizado no âmbito do Programa de Apoio ao Desenvolvimento Institucional do Sistema Único de Saúde (PROADI-SUS), do Ministério da Saúde, busca garantir um olhar cada vez mais humanizado e voltado totalmente para o paciente atendido no setor público brasileiro por meio da padronização dos dados de saúde.

Por meio do projeto DIAna (Data Initiative for Analytics – ou Iniciativa de Dados em Análise, em tradução literal), implementado a partir de 2021 e conduzido pelo Einstein, o PROADI-SUS criou um arcabouço computacional para o Ministério da Saúde que disponibiliza ao usuário do SUS o acesso ao seu histórico de exames, bem como a prescrição de medicamentos por meio de um aplicativo, mesmo tendo origem em qualquer Unidade Básica de Saúde (SUS), por exemplo. Para isso, foram padronizados Modelos de Interoperabilidade e disponibilizado para todas as Secretarias Municipais de Saúde, que permite, a partir da implementação destes modelos, organizar as informações essenciais para envio à Rede Nacional de Dados em Saúde (RNDS), promovendo, assim, a continuidade do cuidado do cidadão em qualquer lugar do país.

Atualmente, o projeto DIAna está trabalhando em um Modelo de Informação para Regulação de procedimentos, consultas e cirurgias, com o objetivo de gerir da melhor forma e dar visibilidade real para os gestores, e, assim, agilizar os agendamentos aos que mais precisam. Outro Modelo Informacional já padronizado é o Sumário de Alta, documento clínico importante contendo as principais narrativas para a transição do cuidado após a alta do paciente, para a Atenção Primária à Saúde (APS).

“Com o projeto, o médico do SUS vai receber um paciente e conseguir acessar todo o histórico de atendimento clínico, exames laboratoriais e medicamentos, não importa em qual cidade ou estado o cidadão tenha sido atendido. Desta forma, a equipe consegue prestar um atendimento ainda mais completo, com uma expectativa de cuidado mais clara e assertiva. Os próximos passos visam ampliar este olhar”, explica Birajara Soares Machado, coordenador de pesquisas e do DIAna no Einstein.

O principal objetivo é desenvolver uma linguagem única para a recepção das informações, como o registro do uso de imunobiológicos e medicamentos, exames laboratoriais, alergias, diagnósticos e sumário de alta, além de padronizar o formato de envio dessas informações em todo o Brasil. Ou seja, tudo aquilo que poderá contribuir para uma análise fidedigna e mais efetiva de cada paciente a fim de proporcionar as melhores tomadas de decisão.

A iniciativa também contribui com a economia para os cofres públicos, já que evita a repetição de exames realizados de forma desnecessária devido a falhas de registro de dados.

Impactos do projeto

De acordo com a enfermeira de Saúde Digital do DIAna, Andreia Cristina de Souza Santos, a interoperabilidade dos dados em Saúde, objeto essencial do projeto, resulta em ganhos significativos para equipes da Atenção Primária à Saúde (APS) e Estratégia de Saúde da Família (ESF). Profissionais como enfermeiros, médicos, fisioterapeutas, nutricionistas, agentes comunitários de saúde e até mesmo educadores físicos, necessitam de informações fidedignas para trabalhar as ações em saúde, promovendo assim um impacto na qualidade da assistência prestada ao cidadão.

“A informação em saúde precisa estar cada vez mais atualizada para acesso destes profissionais. Na enfermagem, enxergo isso como um cuidado ampliado. Se o paciente comparecer à UBS após um internamento, é essencial que seus registros de internação estejam disponíveis para os profissionais da APS. O enfermeiro que receberá este paciente para uma consulta de enfermagem terá uma maior habilidade para elaborar um plano de ação. Se for um caso de paciente com diabetes, por exemplo, ele vai conseguir elaborar um plano de cuidado com um nutricionista e agente comunitário para um acompanhamento mais qualificado e preciso”, ressalta.

Atuação na pandemia e protocolo internacional

De acordo com Machado, todos aqueles que utilizaram o passaporte de imunização na União Européia, nos países com língua inglesa e espanhola, foram beneficiados pelo Ministério da Saúde com a contribuição do Projeto DIAna. “Hoje em dia, por conta dessa atuação, as informações relacionadas à vacinação são acessíveis para controle de situação vacinal, seguindo um mesmo padrão, de forma imediata e garantindo o compartilhamento de informações de diferentes atores, dentro e fora do país”, explica.

Com base em um protocolo desenvolvido internacionalmente, após a consolidação da RNDS, será possível ampliar a integração dos dados de saúde para comunicação, inclusive, com entidades internacionais, como aeroportos, por exemplo. Além da interoperabilidade dos sistemas de saúde do Brasil. Por meio do DIAna, o PROADI-SUS oferece apoio na evolução do ambiente analítico do Departamento de Informática do Sistema Único de Saúde (DATASUS) e da RNDS, com foco no acesso e o uso de dados, para a estratégia de Saúde Digital do Brasil 2021-2028 (ESD28), considerando as necessidades tecnológicas para a plataforma de Big Data: ingestão de dados, governança, processamento e consumo. “Ou seja, é uma forma de criar espaços colaborativos, visto que esses modelos de informação e comunicação são fundamentais para o país e para a estratégia de saúde digital”, conclui.

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