A economia baseada em dados não é um conceito novo, mas está em ascensão com os atuais projetos de transformação digital. Toneladas de dados são gerados diariamente por smartphones, sensores industriais e nos serviços públicos, só para citar alguns setores. Este cenário disruptivo influenciou na criação do Movimento Brasil, País Digital, liderado pela ABES, com o apoio de várias entidades, que celebrou seus cinco anos com um evento online, no qual reuniu importantes atores do cenário de tecnologia nacional, incluindo embaixadores e embaixadoras do movimento.

Na abertura do evento, o atual presidente da Associação Brasileira das Empresas de Software (ABES), Rodolfo Fücher, ressaltou a importância da tecnologia durante a pandemia da Covid-19 e falou que os dados são um dos bens econômicos mais valiosos dos tempos digitais”.

“Tecnologia é o meio de aproximar o cidadão, governo e o mundo corporativo. E foi isso que nos motivou a começar este movimento. Não imaginávamos que ele fosse tomar o corpo que tem hoje, pois as ideias que foram implementadas ajudaram muito a estimular esse ecossistema. Outro aspecto bem recente que podemos observar é a aceleração tecnológica vivida com a pandemia e, graças à tecnologia, novos negócios foram gerados, novas formas de atuar foram implantadas. Feliz por fazer parte dessa história”, destacou Jorge Sukarie, presidente da Brasoftware e vice-presidente do conselho da ABES, que participou do processo de idealização do movimento.

“Lembro do nosso primeiro evento no Congresso, em Brasília. Éramos um grupo pequeno e nem imaginávamos que chegaríamos aonde estamos hoje. As grandes coisas começam pequenas. Sabemos que o digital é o mestre do nosso tempo, por isso é possível impactar intensamente todas as esferas da sociedade com o digital. O Andriei Gutierrez e o Fábio Rua desbravaram arduamente o campo junto ao legislativo. Com isso conseguimos influenciar em muitas tomadas de decisão, um exemplo é a LGPD”, relatou Francisco Camargo, CEO da CLM e presidente do conselho da ABES, que participou do processo de idealização do movimento e do título Embaixadores Honorários do Movimento Brasil, País Digital, que reconhece o trabalho de profissionais em prol da Segurança Jurídica, da Transformação Digital do Brasil e do desenvolvimento do setor de tecnologia no país.

Governo Digital, Cidadania Digital

Em vídeo, o Secretário Executivo do Ministério da Economia e embaixador do movimento, Marcelo dos Guaranys, reafirmou a necessidade de um governo mais digital que possa entregar serviços de qualidade para a população. “Digitalizamos mais de dois mil serviços e alcançamos mais de 100 milhões de pessoas cadastradas na plataforma Gov.BR . Embora muita coisa ainda precise ser feita para chegarmos num estágio ideal, muitos esforços vêm sendo realizados e na corrida da transformação digital, o Brasil vêm buscando otimizar e simplificar ainda mais esta relação entre governo e cidadão”.

Em relação à importância da digitalização, Juliana Natrielli, diretora adjunta da ABES e Head de Policy e Regulatório na Buser Brasil, é enfática ao afirmar que o “a liberdade de acesso e privacidade na proteção de dados” são fatores de grande relevância neste cenário. “A transformação que vi acontecer nos últimos anos é surpreendente e o que foi feito nos últimos dois nem se compara com o que já foi realizado em 10 anos. Crises financeiras, políticas e sanitárias como a pandemia do coronavírus podem mudar os hábitos de uma hora para outra e, como consequência, a forma de comercialização. Por isso, é imprescindível possibilitar às PMEs acesso a uma gama de tecnologias e, nesse sentido, as startups vêm ocupando um espaço muito interessante, oferecendo serviços e preços mais competitivos”.

A transformação digital veio com tudo e a capacitação das pessoas se tornou uma questão de grande preocupação, pois a pandemia nos ‘obrigou’ a fazer essa mudança. E como podemos contribuir? “Capacitando pessoas para que elas se insiram bem no mercado de trabalho. Pessoas alinhadas com as premissas que norteiam o mercado, com acesso e conhecimento a respeito das tecnologias habilitadoras pessoas que podem contribuir muito para uma sociedade mais digital”, destacou Eliana Emediato de Azambuja, Coordenadora-Geral de Transformação Digital do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação.

Para o Secretário Nacional de Governo Digital do Ministério da Economia, Luis Felipe Monteiro, que também é embaixador do movimento, “cidadania digital é garantir todos os princípios elencados na Constituição também no ambiente digital. Estamos crescendo numa velocidade vertiginosa com a presença da internet e o governo precisa entregar acessibilidade com a mesma velocidade e eficiência que as empresas privadas o fazem com seus clientes. Quando chegarmos a este grau, teremos uma cidadania digital soberana”.

Desafios futuros

Na opinião de Fabro Steibel, Diretor Executivo do ITS Rio, o objetivo do Estado é garantir e promover o crescimento da transformação digital. “Quando pensamos em governo digital, temos a questão do mundo híbrido: parte presencial, parte online. A grande diferença é que precisamos de outra infraestrutura, porque dados abertos é uma estrutura tão importante quanto ruas e avenidas. E a pergunta que fica é: que tipo de infraestrutura vamos precisar para esse país híbrido?”.

“O Brasil foi o primeiro país no mundo a adotar um portal de transparência. Temos uma boa estrutura tecnológica. Um exemplo disso é o PIX, que veio para facilitar e agilizar o processo de pagamento em transações financeiras em todo o território nacional. Hoje ele é gratuito, mas é preciso avaliar se no futuro haverá taxação sobre esse serviço, como CPMF e encargos, que poderão restringir o seu acesso. Temos que nos orientar por modelos como o gov.uk (Reino Unido), que não cobra taxas sobre serviços semelhantes porque o valor que é gerado é significativo para a economia”, avalia Steibel.

Na mesma linha de pensamento, o Secretário Nacional de Governo Digital do Ministério da Economia, Luis Felipe Monteiro afirma que o “Governo Digital precisa ser uma plataforma que ofereça dados e segurança para os negócios operarem. Nesse momento, temos 2/3 da população cadastrada. Por isso, empresas privadas podem utilizar a plataforma de maneira segura para realizar suas transações. Queremos que o gov.BR seja um hub de acessibilidade e com isso garantir um governo social e democrático”.

De acordo com Eliana de Azambuja, Coordenadora-Geral de Transformação Digital do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação os desafios futuros é “poder atuar com os diversos setores da economia, como o agro, turismo, cidades inteligentes, startups, PMEs e assim unir esforços para criar políticas públicas mais acessíveis e trazer resultados para o país”.

“Ser digital é compreender que as respostas dadas hoje ao mercado podem ser insuficientes para as demandas de amanhã. Por isso é preciso estabelecer projetos de capacitação permanente do corpo funcional, seja no âmbito público ou privado, incentivando as equipes a aprenderem ininterruptamente. A digitalização é importante para a economia e crescimento do Brasil. Para as PMEs nada como um ambiente mais acessível. A assinatura eletrônica antes era um impeditivo, com a transformação digital isso tem sido quebrado. Temos que caminhar, mas estamos na direção certa”, finaliza.

Para os participantes, o Brasil realizou progressos significativos no acesso à internet e na regulação, mas muito ainda precisa ser feito para reduzir a exclusão digital no país e expandir a adoção das tecnologias digitais.

“As ferramentas digitais e a conectividade têm se revelado essenciais para ajudar empresas e pessoas a resistirem à crise instaurada pela Covid-19. Mas é necessário avançar e estabelecer novas política públicas e repensar as existentes”, comentou Andriei Gutierrez, Cofundador e Coordenador do Movimento Brasil, País Digital.

Prêmio Brasil, País Digital

Ao final do evento, Fábio Rua, Cofundador do Movimento Brasil, País Digital, lançou o Prêmio Brasil, País Digital (BPD). “A premiação Brasil, País Digital nasceu do desejo do nosso movimento de reconhecer lideranças novas oriundas dos setores público e privado, assim como da sociedade civil, que se destacaram por sua atuação em projetos e ações de impacto social na área de tecnologia da informação em temas voltados à transformação digital e inteligente do nosso país.  A premiação será dividida em duas categorias e concedida aos indivíduos eleitos em votação democrática e transparente com base em critérios distintos”, revelou Fábio Rua. Este prêmio é uma evolução do reconhecimento por meio das placas de embaixadores e embaixadoras entregues.

Conheça alguns dos critérios do Prêmio BPD:

  • Difusão e valorização de ações sociais e/ou governamentais que promovam educação, transformação digital e inovação no Brasil;
  • Engajamento em causas voltadas ao processo de formulação de políticas públicas da área de tecnologia;
  • Concepção e implementação de projetos de escala que possam ser incorporados pela sociedade, com o objetivo de democratizar o acesso e o conhecimento técnico e tecnológico de plataformas e aplicações digitais.

Visite o portal do Brasil, País Digital para saber mais sobre o prêmio.

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