Por Chris Santos Notícias

No setor público brasileiro, o tratamento das informações do cidadão é frequentemente caótico. Temos dezenas de sistemas que não conversam entre si, dados são perdidos constantemente, silos informacionais são mal utilizados e assim por diante. Como podemos melhorar? Esta é a pergunta realizada pelo diretor do Instituto de Tecnologia e Sociedade do Rio de Janeiro (ITS-Rio), Ronaldo Lemos, que lançou um projeto chamado Mapa da Informação. A apresentação foi realizada no GovTech Brasil, evento ocorrido em São Paulo nos dias 06 e 07 de agosto de 2018, com debates sobre temas visando o aprimoramento do governo digital no país.

A primeira versão do mapa enfatiza os silos de informações relacionados aos documentos pessoais, que são fundamentais no relacionamento do Cidadão com o Estado. Traça a teia do emaranhado de documentos, aplicativos, bases de dados, operadores de TI, órgãos gestores e os serviços e políticas públicas envolvidos com estes documentos. A ideia é que este seja um mapa colaborativo, que receberá contribuições, e depois será ampliado por meio do levantamento de informações das instâncias estaduais e municipais.

Sobre as iniciativas de documentos digitais, o Brasil está, na avaliação de Lemos, conseguindo usar a tecnologia para perpetuar a burocracia que prevalece no mundo real, ao disponibilizar uma e-CNH, o e-CPF, título de eleitor e carteira profissional digitais, entre outras opções. “Não faz sentido, pois estamos mantendo-os, sem unificá-los e cada um necessita de um aplicativo diferente. É um modelo errado, de multiplicação e reprodução do que já existe no plano físico”.

Segundo o diretor do ITS, existe um problema global de subidentificação, que foi reduzido no Brasil a partir do ano 2000. Em compensação, o país exige documentos demais de seus cidadãos, começando pelo registro civil que traz as informações biográficas, passando pelos documentos que deveriam garantir a unicidade, como o RG, e os cadastros administrativos junto a órgãos públicos, como o CPF. Em sua apresentação, Lemos trouxe exemplos, pois a imprensa mostrou como é possível uma mesma pessoa tirar RG em vários estados ou publicou o caso de um brasileiro que tem 43 títulos de eleitor. Para Lemos, o Brasil precisa criar um processo de identificação de massa que facilite as atividades do Estado e simplifique os processos para a população, sem altos custos, fazer uma identidade digital que agregue valor, pela qual o cidadão não precisará peregrinar em diferentes órgãos públicos.

Ele citou ainda que o Movimento Agora e o instituto de pesquisa Ideias Big Data fizeram um levantamento e identificaram nada menos que 48 aplicativos para serviços governamentais federais, um volume que permite entender a baixa adesão dos brasileiros as versões digitais, tendo em vista a dificuldade de instalar tanto app em um único celular.

Assista neste link a apresentação realizada por Ronaldo Lemos no GovTech e conheça o Mapa da Informação aqui.