Fonte: FEBRABAN

Orçamento total do setor chegou a R$ 24,6 bilhões no último ano, segundo a Pesquisa Febraban de Tecnologia Bancária; canais digitais foram responsáveis por 63% das transações no ano passado

Atualmente, 63% das operações bancárias são feitas pelos meios digitais –internet banking e mobile banking

O setor bancário brasileiro investiu R$ 8,6 bilhões em tecnologia em 2019, alta de 48% em relação ao anto anterior, quando os investimentos foram de R$ 5,8 bilhões. Somado às despesas, que cresceram 14% (de R$ 14 bilhões para R$ 16 bilhões), o orçamento total do setor chegou a R$ 24,6 bilhões. Os números são da última edição da Pesquisa Febraban de Tecnologia Bancária 2020 (ano-base 2019), divulgada dia 18 de junho.

Produzido em parceria com a consultoria Deloitte, o estudo mostra a força da indústria bancária, que segue como o maior investidor privado em tecnologia. No Brasil, por exemplo, o setor bancário representou 14% dos gastos totais em tecnologia no ano, à frente de setores como Telecomunicações e Comércio.

Gráfico mostra o crescimento acentuado do orçamento total dos bancos para tecnologia

Em 2019, as despesas e investimentos em software estiveram no centro das atenções das instituições financeiras, representando R$ 13,2 bilhões, ou 54% do total, seguindo a tendência dos anos anteriores. O número reforça o compromisso do setor no desenvolvimento de novas funcionalidades em serviços e produtos, como destaca Isaac Sidney, presidente da Febraban.

“Os bancos brasileiros sempre funcionaram como um importante indutor em inovações no país”, afirma Isaac Sidney, que lembra também que a crise impulsionou a digitalização dentro e fora das instituições financeiras, mas que o setor já estava preparado e quer continuar ajudando o cliente a criar um DNA digital que lhe permita ter acesso a serviços com maior valor agregado, mais eficiência e redução de custo.

“O histórico de investimentos dos bancos em TI, aliado ao crescimento do uso dos canais digitais nos últimos cinco anos, foi fundamental para que, neste momento de pandemia, nossos clientes tivessem a opção de fazer praticamente todas as transações financeiras de forma segura em suas casas, evitando, assim, aglomerações”, diz.

Os impactos da pandemia nos investimentos dos bancos em tecnologia estarão em debate no CIAB Live, edição online e de graça do maior evento de tecnologia da América Latina do setor financeiro, que será na próxima semana, nos dias 23, 24 e 25. Executivos de bancos que participaram da pesquisa vão apresentar suas percepções sobre os impactos da pandemia em painel no dia 23/6, das 15h às 16h. Ainda, serão apresentados dados de uma pesquisa da Deloitte sobre os investimentos no primeiro quadrimestre deste ano. Veja a programação completa e todos os participantes confirmados no evento.

Setor bancário segue na vanguarda no quesito tecnologia, à frente de outras importantes indústrias

MOBILE BANKING SEGUE EM ALTA

As últimas edições da pesquisa têm revelado uma mudança de comportamento do consumidor, seguindo uma tendência de migração para o digital. Atualmente, 63% das operações bancárias são feitas pelos meios digitais – internet banking e mobile banking –, percentual que era de 46% em 2014, por exemplo.

Assim como nos últimos anos, o mobile banking segue ganhando espaço e a preferência dos clientes para transações financeiras. As transações bancárias cresceram 11%, registrando 89,9 bilhões de operações; deste total, 39,4 bilhões, ou 44%, correspondem a operações feitas pelo mobile banking.

Gustavo Fosse, diretor setorial de Tecnologia e Automação Bancária da Febraban, avalia o crescimento do mobile novamente como significativo, ao citar a alta de 34% de contas ativas nesta modalidade, ou seja, contas com pelo menos uma transação no segundo semestre de 2019. Para o executivo, o mobile banking virou a porta de entrada para a inclusão financeira de milhões de brasileiros pela possibilidade de carregar no bolso e acessar, em qualquer hora ou local, serviços antes restritos a agências bancárias.

Outro número que comprova o aumento da confiança dos clientes pelo mobile banking é o de operações com movimentação financeira no smartphone: alta de 41% no ano passado em relação a 2018. Ainda, o uso de celular mostrou significativo avanço em todas as transações pesquisadas: contratação de investimento (alta de 114%); tomada de crédito (+47%); transferências, DOCs e TEDs (+43%); pagamento de contas (+39%). A pesquisa revelou que a contratação de seguros por celular cresceu 133%, enquanto os depósitos virtuais mostram alta de 327% nesse canal.

O estudo revela também que o cliente do mobile banking faz login no banco em média 23 vezes por mês, sendo que os chamados heavy users –usuários que fazem mais de 80% das transações em um único canal– visitam seu banco 40 vezes, na média mensal. Já as contas abertas pelo smartphone cresceram 66% em 2019, na comparação ao ano anterior, totalizando 6,5 milhões.

Impulsionadas pelo mobile banking, gráfico mostra o crescimento do volume de transações bancárias em 2019

TREINAMENTOS

Um número inédito do estudo, neste ano, é o do investimento dos bancos em treinamentos, com R$ 107,3 milhões dedicados a esta área, chegando a 146 mil pessoas e totalizando 1,7 milhão de horas. “Isso mostra o quanto o setor vem tentando formar equipe e buscando excelência, não só para profissionais de TI”, destaca Fosse.

Bancos apostam em treinamento e formação de talentos

METODOLOGIA

A pesquisa teve participação de 22 bancos, que representam 90% dos ativos da indústria bancária. Em sua 28ª edição, o estudo traz uma radiografia e tendências do comportamento do setor financeiro em relação a investimentos e uso da tecnologia, bem como a relação dos consumidores com os canais de atendimento. Foram incluídas informações de dados públicos e de pesquisas da Deloitte, além de, pela primeira vez, reunir opiniões de executivos do setor.

Sérgio Biagini, sócio-líder da Deloitte para a indústria de Serviços Financeiros no Brasil, explica que a coleta de dados se deu em uma fase quantitativa, via formulário, e outra qualitativa, com entrevistas mais aprofundadas. “Além dos 22 bancos que responderam o questionário, 10 executivos da área de tecnologia bancária concederam as entrevistas para a edição de 2020 da pesquisa”, destaca Biagini.

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