Mosquitos são um dos vetores das doenças mais letais, responsáveis por milhões de mortes todo ano no mundo. Destaca-se a espécie de mosquito Aedes Aegypti que dissemina doenças como a dengue, Chikungunya, o zika vírus e a febre amarela, males que afetam regiões tropicais, incluindo o Brasil, como os dados do Ministério da Saúde têm revelado todos os anos.

Por isso, uma pergunta importante é: o que fazer para ampliar o controle e evitar a proliferação do Aedes Aegypti como transmissor destas doenças? A robótica chegou para ajudar nesta ação, conforme revela um estudo importante, que ocorreu com a união da empresa suíça WeRobotics, a Moscamed, uma organização social brasileira, e a Organização das Nações Unidas (ONU), por meio da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA).

Juntos, eles trabalharam em um projeto que testou uma nova ferramenta para conter a propagação do vírus Zika na cidade de Juazeiro (BA). A ação consistiu em distribuir, por meio de drones, 280 mil mosquitos machos esterilizados por radiação, também chamada de SIT (Técnica de Insetos Estéreis). Assim, espalhados na natureza, os mosquitos não podem produzir descendentes e, com isso, se reduz a população de insetos aptos a transmitir e disseminar doenças a longo prazo.

O uso de drones desenvolvidos e adaptados neste estudo fez com que a ação fosse mais eficiente e produtiva, já que, antes, esse processo era manual. Além disso, as técnicas de controle atuais que usam inseticidas ou fumigação são limitadas na eficácia devido à necessidade de constante reaplicação e ter efeitos negativos sobre o meio ambiente. O uso de aviões para lançar os insetos também não é tão eficiente, porque uma parte significativa dos mosquitos morre durante o transporte.

Os drones são relevantes ainda, porque resolvem outros problemas, considerando-se que as estradas nem sempre estão disponíveis ou são facilmente acessíveis nas áreas em que o lançamento dos mosquitos precisa ser realizado; ou quando a liberação baseada em solo, usando veículos, é muito demorada e exige muita gente. Outra importante vantagem da estratégia é a redução dos custos de liberação dos insetos estéreis em grandes áreas.

O estudo permitiu desenvolver e validar um robusto mecanismo de liberação aérea de mosquitos baseado em drones. O mecanismo, com testes em campo realizados em março de 2018, é capaz de liberar 50.000 mosquitos em um único voo, e seu design permite múltiplos voos e liberação em áreas de mais de 100 hectares em uma única manhã.

Para os profissionais e órgãos envolvidos no estudo, o lançamento aéreo baseado em drones é um bem-sucedido componente de controle do mosquito e deve ser combinado com a liberação terrestre dos insetos estéreis e de uso de armadilhas para o Aedes pela população. O governo brasileiro planeja expandir o uso desta tecnologia já no verão de 2019, em áreas rurais e urbanas.

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