O Brasil tem excelentes soluções que combinam inovação tecnológica com impacto social para proporcionar acessibilidade digital a milhões de deficientes auditivos. Segundo a Organização Mundial da Saúde, mais de 360 milhões de pessoas possuem deficiência auditiva no mundo, sendo que quase 10 milhões delas, de acordo com o CENSO IBGE 2010, são brasileiras. Apesar de ser obrigatória por lei desde janeiro de 2016, quando a Lei Brasileira de Inclusão entrou em vigor, a acessibilidade digital ainda está longe de ser uma realidade no país. Apenas 2% dos sites brasileiros estão acessíveis.

VLibras

Para mudar este cenário, uma das soluções revolucionárias foi criada pela equipe do Núcleo de Pesquisa e Extensão Laboratório de Aplicações de Vídeo Digital (LAVID, do Centro de Informática da Universidade Federal da Paraíba (CI/UFPB). Esse pessoal desenvolveu o  VLibras, uma plataforma tecnológica aberta e colaborativa de inclusão digital que permite que pessoas surdas possam acessar conteúdos digitais na sua língua natural em diversos contextos.

Esta plataforma de código aberto é gratuita e traduz automaticamente conteúdos digitais em diversos suportes (textos, áudios e vídeos) para a Língua Brasileira de Sinais (Libras) através de um Avatar 3D, tornando computadores, dispositivos móveis e websites acessíveis para pessoas surdas. Os componentes da ferramenta podem ser livremente integrados a qualquer fonte de conteúdo digital. Seu dicionário 3D é um dos maiores do tipo do mundo, com quase 17 mil sinais. A solução contabiliza mais de 200 mil downloads, cerca de 6 milhões de acessos diários, e é utilizada em 600 mil páginas na web

Em 2018, o desenvolvimento do VLibras rendeu à equipe do Núcleo de Pesquisa e Extensão Lavid, do Centro de Informática da Universidade Federal da Paraíba (CI/UFPB) o prêmio “LATAM Smart City Awards 2018”, na categoria “Sociedade Equitativa e Colaborativa”.

 Hand Talk

Outra solução desenvolvida no Brasil é o aplicativo Hand Talk, que funciona como um tradutor de bolso, traduzindo texto e voz automaticamente para Libras, e conta com a seção educativa Hugo Ensina – uma série de vídeos em que o personagem ensina sinais e expressões em Libras para os interessados na língua. O app é gratuito e está disponível para tablets e smartphones, nos sistemas Android (na Play Store) e iOS (na App Store).

O aplicativo foi idealizado pelo publicitário Ronaldo Tenório, que contou com o apoio de Carlos Wanderlan (Analista de Sistemas) e de Thadeu Luz (Arquiteto especialista em 3D) para tomar forma em um desafio de startups do qual saíram vitoriosos.

Ao longo de sua trajetória, a Hand Talk contou com a ajuda de mentorias e acelerações de organizações referência no Brasil e Estados Unidos, como Artemísia e Instituto Quintessa, na área de impacto social, e a Launchpad Accelerator – a aceleradora de Startups do Google. O reconhecimento da solução como inovadora e acessível veio de várias partes do Brasil e do mundo. Foram dezenas de prêmios, dentre eles o de Melhor Aplicativo Social do Mundo em 2013, entregue pela ONU (Organização das Nações Unidas), no prêmio World Summit Mobile Award, em Abu-Dhabi. Na ocasião, a Hand Talk concorreu com cerca de 15.000 aplicativos de mais de 100 países.

BulletOutros casos na área de Acessibilidade