Fonte: tiinside
Por Jorge Sukarie*
O Brasil figura hoje entre os dez maiores mercados globais de Tecnologias da Informação e Comunicação (TIC), ocupando a 9ª posição em investimentos, à frente de países como Índia e Canadá. Essa posição de destaque, revelada pelo estudo mais recente da Associação Brasileira das Empresas de Software (ABES) em parceria com a International Data Corporation (IDC), vai além de um mérito estatístico: é reflexo de uma transformação silenciosa, porém profunda, que vem moldando o setor tecnológico nacional nas últimas duas décadas.
Desde 2004, quando a ABES e a IDC começaram a monitorar sistematicamente o mercado brasileiro de software, os dados mostram um movimento contínuo de amadurecimento. Naquele ano, 67% dos investimentos em Tecnologia e Informação (TI) no Brasil eram destinados a hardware. Em 2024, esse percentual caiu para 47%, com uma redistribuição progressiva para software (31%) e serviços (22%). Essa mudança indica maior sofisticação no uso da tecnologia e uma clara transição do consumo de infraestrutura para inteligência e inovação.
Em termos absolutos, o país investiu cerca de US$ 90 bilhões em TIC no último ano, sendo aproximadamente US$ 60 bilhões destinados exclusivamente à TI. Esses números colocam o Brasil como um mercado estratégico na América Latina, região que concentra 5,6% dos investimentos globais em TIC — e 4,5% em TI.
Esse avanço é significativo e traz consigo uma responsabilidade: acompanhar o ritmo dos mercados maduros. Nos países líderes, como Estados Unidos, Alemanha e Reino Unido, os investimentos em hardware, software e serviços tendem a se distribuir de forma mais equilibrada. Esse equilíbrio é um sinal de maturidade digital — e também um indicativo de que inovação e transformação estão integradas à estratégia de negócios, e não restritas a projetos isolados.
O Brasil segue enfrentando desafios nesse caminho. Apesar do crescimento nos investimentos, a disparidade entre setores e regiões persiste. Algumas áreas, como finanças e serviços, já operam com alto grau de digitalização e governança tecnológica, enquanto pequenas empresas e segmentos públicos descentralizados permanecem em estágios iniciais de transformação digital.
Por outro lado, o estudo revela uma forte intenção de crescimento. Três em cada quatro empresas afirmam que pretendem aumentar os investimentos em TI em 2025. Esse dado é crucial porque reflete otimismo e a percepção de que a tecnologia deixou de ser opcional. Ela passou a ser um componente central da competitividade empresarial e da sustentabilidade dos negócios.
O cenário internacional também pressiona. O Brasil está inserido em um mercado global cada vez mais regulado, dinâmico e impulsionado por inovações como inteligência artificial, computação em nuvem, cibersegurança e automação inteligente. Para manter sua posição — e avançar —, o país precisa continuar investindo, além de aprimorar políticas públicas, formação de talentos e infraestrutura digital.
O futuro do setor de TI brasileiro é promissor, desde que o país consiga transformar investimento em impacto. O estudo da ABES e da IDC fornece os dados. Cabe agora a empresas, governos e sociedade transformar essa inteligência em ação.
Como parte desse movimento, está disponível uma versão interativa do estudo “Mercado Brasileiro de Software: Panorama e Tendências”, que reúne mais de duas décadas de informações sobre o setor, com filtros por ano, região e segmento. A plataforma oferece uma visão comparativa e dinâmica da evolução do mercado brasileiro de TI e reforça o compromisso com a transparência e o acesso à informação de qualidade — elementos essenciais para o avanço sustentável do setor.
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*Conselheiro da ABES





