Por Andriei Gutierrez
Government & Regulatory Affairs Manager @IBM Brazil

Já dizia meu finado avô: se você não toma o leme de sua vida e escolhe seu destino, outros ou a ocasião o farão por você. E acredito que esse pensamento segue válido tanto para a vida pessoal e profissional quanto para o rumo que damos para organizações e até países.

Nos eventos e reuniões dos quais participo, os tomadores de decisão vêm mencionando, em consenso, que vivemos um período de profundas transformações desencadeadas pelo desenvolvimento da tecnologia. Revolução Digital, Indústria 4.0, Transformação Digital, Era Digital e Era da Disrupção, são alguns dos termos que escutamos com frequência por aí.

Agile Brasil: rumo a uma estratégia digitalFato é que há uma sensação de que pessoas e organizações (sejam elas privadas, governamentais ou da sociedade civil) foram criadas e moldadas para viver em um mundo analógico. Mundo esse que, de repente, está para ser superado por uma nova sociedade digital.

Face à inequívoca sensação de que é necessário mudar, todos se perguntam: como e de que maneira devo me reinventar? Esse exercício também se mostra válido para países. Como e de qual maneira podemos reinventar uma nação?

Alguns países já começaram a se questionar e a colocar objetivos e métricas de posicionamento em relação às transformações digitais. Em março deste ano, por exemplo, o Reino Unido definiu uma estratégia digital com o foco de ser o melhor lugar do planeta para se desenvolver empreendedorismo digital e uma referência global na oferta de serviços públicos por meio digital. Um pouco antes disso, a Índia estabeleceu a estratégia Digital India para se transformar em uma sociedade digital empoderada e uma economia do conhecimento.

Aqui na América Latina, o Chile vem trabalhando desde o início dos anos 2000 em sucessivas estratégias de desenvolvimento digital que desde o princípio têm tido como eixos principais o fortalecimento da educação digital para o princípio de inclusão econômica e social. Hoje, o país apresenta uma auspiciosa Agenda Digital 2020, fruto de uma parceria público-privada, com participação de diferentes setores da sociedade civil.

Nesse contexto, ontem tive o prazer de participar do lançamento de uma consulta pública para a criação de uma Estratégia Brasileira para a Transformação Digital. No mesmo dia em que todos os radares da imprensa e da sociedade brasileira estavam voltados para a Câmara e a para o cenário político, um grupo técnico interministerial de peso, capitaneado pela Secretaria de Política de Informática do Ministério de Ciência, Tecnologia e Comunicações se reuniu para apresentar os pilares de uma ambiciosa e mais que bem-vinda proposta.

Como garantir a democracia e a igualdade de oportunidades em um cenário no qual o exercício da cidadania depende minimamente de um cidadão conectado? Como repensar o nosso sistema educacional e de formação profissional frente às necessidades presentes e futuras da sociedade digital? Como trataremos os riscos e eventuais ameaças (atuais e futuros) à privacidade dos cidadãos e à segurança dos dispositivos, dos sistemas e das redes de comunicação? Como podemos surfar a onda da revolução digital e melhorar a nossa competitividade na indústria, na agropecuária e nos serviços? Como o governo poderá se reinventar e usar os recursos digitais para melhorar seus mecanismos de gestão, de formação de políticas públicas, de comunicação e oferta de serviços aos cidadãos? Essas são algumas das muitas perguntas que dão ideia da dimensão e relevância desse desafio.

É importante que os diferentes setores da sociedade brasileira tenham conhecimento da consulta pública e se engajem nessa empreitada, que receberá contribuições através do site Estratégia Digital, durante todo o mês de agosto. Mesmo que você não tenha interesse direto em contribuir, vale a leitura do documento e o acompanhamento dessas discussões, que são muito ricas e ajudam a entender como e para onde está indo nossa sociedade.

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